Ontem, 29.05, foi projetado no Cine-PE o filme As melhores coisas do mundo, baseado na série de livros Mano, de Gilberto Dimenstein e Heloísa Prieto (o detalhe é que o filme é muito melhor que a literatura), roteitizado por Luiz Bolognesi e primorosamente dirigido pela Laís Bodanzky.
Mano é uma adolescente de quinze anos que vem passando por uma fase de problemas etários. A questão das dúvidas quanto à virgindade, paixões não correspondidas, problemas familiares etc, tudo isso sobre a pressão de amigos, familiares e sociedade. Não me aterei em falar do enredo do filme (até gostaria de fazê-lo), mas espero que simplesmente ouçam minha indicação e entrem na sala de projeção mais próxima de vocês a partir do dia 7 de maio, quando estréia o filme para o público em geral.
O filme levanta bem as questões do adolescente de hoje. Sim, de hoje, pois “o mundo mudou muito nestes últimos cinco, dez anos”, como diz uma mãe numa reunião de pais no filme. A mídia rápida, SMS, Blogs etc, que tanto estimula quanto retrai, como no caso do cyberbullying, o tipo de violência com maior índice de crescimento em nossos dias. O ponto é que o filme fez certo, excelentes foram as medidas, como numa receita quando se coloca todos os ingredientes em porções que ao fim permitem um momento mágico ao paladar do degustador.
Eu falava isso para a Laís Bodanzky, ao fim da exibição do filme. Eu dizia que enquanto eu acompanhava a produção do filme não tinha certeza se iam conseguir alcançar aquele ponto que se localiza no cruzamento das quatro linhas, a de fazer cinema, a de trazer algo importante para o mundo, a linha do belo e a de mudar a vida de alguém na platéia. E mudou um pouquinho a minha vida, As melhores coisas do mundo chegaram ao meu coração remexeram alguma coisa.
Ela me falava do trabalho feito junto ao Luiz Bolognesi, que não se ateve à série de livros Mano e pediu ajuda de adolescentes na hora de escrever o roteiro, refinando a obra e aproximando-se das pessoas que o filme fala. Talvez por isso tenha tornado-se uma obra mais significativa que a literatura e talvez por isso mostre bem nosso mundo. Belo como na contraposição entre a tecnologia das mídias e o caderninho-diário de Carol, melhor amiga de Mano; ou a união de tecnologia com a poesia, vista na ação de Pedro, que está na fossa por amor – e é incrível como isso é adolescente e fascinante, a dor, o amor –, e posta em seu blog poemas sentimentais, detalhe: cheios de dor. E o mundo feio, onde a tecnologia se une aos sentimentos de insegurança, angústia e afins, para fazer mal ao outro.
Ainda há o tema paixões e relacionamentos, que transborda desde os adultos até os jovens, abordando temas como a primeira vez, sentimentos confusos, afirmações, homossexualismo, saturação etc. O filme embora tenha uma abordagem ampla, trata da classe média adolescente… embora tenha uma abordagem ampla e mostre àquela escola como um todo, foca um determinado grupo, e desculpem os outros, esse grupo é demais! – eu não posso me conter na hora de falar isso – é um grupo alternativo e isso permite que haja toda essa vida no filme, essa coisa verdadeira, essas coisas que são as melhores do mundo, sem… bem, deixem pra lá, creio que já deu para entender.E outros pontos que tenho que frisar muito vêm da parte técnica, e dessa não posso-me esquecer mesmo tendo um filme bem organizado em roteiro, enredo, com muito para abordar.
A câmera da Laís Bodanzky é linda, simplesmente linda, pois é muito complicado se marcar de forma autoral num set cheio de gente – e toda arte feita com uma filmadora deve ser aplaudida. O set cheio de gente é outro ponto, há de se parabenizar a produção pela forma como se trabalho a figuração. A direção de arte também entra na lista com um ambiente propício para gravar esse filme e produzir esse resultado. E, para terminar isso logo, antes que eu me empolgue de vez e reescreva tudo isso em um ensaio, a música. A trilha sonora não é só boa, não, ela é excelente, há tempos eu não via trilhas sonoras advindas do pop encaixar-se tão bem. Afinal, não é ter músicas boas, ah, pow, meu, aquela música é muito boa e tá no filme; não, não é assim que funciona, embora seja assim que as pessoas vêem muito hoje em dia; não, não… assistam o filme, vejam (ou melhor, ouçam) a trilha sonora, o como ela vai se encaixando no filme, é o tipo de sintonia que faz por vezes você nem perceber ela ali, pois simplesmente ela é o filme.
Bem, para encerrar, o elenco, rapidinho (e sem preconceitos, afinal, antes de existir ator ruim, existe diretor genial, depois você pode falar dos atores): Francisco Miguez é Mano, Gabriela Rocha é Carol e Gabriel Ilanes é Deco; Denise Fraga e Zé Carlos Machado são os pais de Mano, Camila e Horácio, Fiuk é Pedro, irmão do protagonista, Caio Blat é o professor de física Artur, Paulo Vilhena é Marcelo, professor de violão e confidente de Mano e Gustavo Machado é Gustavo, namorado do pai de Mano – é, eu falei que ainda tinha muito o que abordar, então, assistam: dia 7 de maio, estréia As melhores coisas do mundo. Imperdível.
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