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Hoje fui com Olga, Lucas Coutinho e Carol ao Cinema São Luís. O filme: As melhores coisas do mundo. Isso! de novo. E esse filme do ponto de vista cinematográfico é tão bem feito, há um cuidado imenso. Mas… o que mais me afeta é gostar tanto da fase em que estou vivendo, mostra como tudo é tão bom, complicado e fácil, feio e belo, tão jovem e perdido no tempo. Mas acho que o que já me afetara na outra vez que assisti e hoje novamente é que o filme inspira o amor – quer dizer, em mim. Dá vontade de se apaixonar, de correr, de gritar. E, mais especificamente, dá vontade de correr atrás da pessoas que se ama e desesperadamente beijá-la e dizer com a singeleza e o descontrole que só a sinceridade pulsante dá: eu te amo. Pois, em estado nostálgicos se percebe que nada é para sempre e que amanhã alguém pode se perder na estrada.

Enfim, ontem começou Cannes, com a exibição de Robin Hood (que assistirei na segunda-feira, quando estréia no Brasil) e algumas palavras do mestre Tim Burton. Esse ano decidi não fazer a cobertura e simplesmente apreciar o festival. Lógico, se alguém estiver muito interessado na cobertura, me mande para lá que faço tudo com muito prazer. Mais informações podem ser obtidas no site oficial: http://www.festival-cannes.com.

Déjà vu

- Sabia que eu vivo tendo déjà vu contigo?
- Déjà vu?
- Sim, aquela impressão de que você já viveu antes aquela mesma coisa. Eu tenho quando falo contigo o tempo todo, sei lá. É como se de alguma maneiras as besteiras que eu estava dizendo agora eu já tivesse dito antes da mesma maneira, como se eu me repetisse e repetisse incessantemente. E isso me assusta. Me assusta pensar que já vivi o que dava pra viver contigo e o que vai vir pela frente não passa de passado mascarado. Não que eu me importasse de reviver o passado, não, não me importa ficar pra sempre presa no mês de fevereiro, nem um pouco. Me importa não ter nada mais pra te mostrar, ou dar, ou fazer. Que meus gestos sejam todos previsíveis, que não te causem mais arrepio, que minha presença seja como uma sombra e que minhas palavras sejam déjà vu pra sempre. Me assusta que você se canse. E que você vá embora se cansar.

Bem, isso é só uma prévia do meu estilo de texto. Para quem não me conhece eu sou a Naathi (do falecido feedbackmemories.blogspot.com) , o Lula falou de mim há alguns vários posts atrás avisando que eu estaria em parceria com ele aqui no LulaCardona.wordpress. Infelizmente até o presente momento eu não havia postado, mas está aí.  Espero voltar e poder continuar colaborando com o crescimento deste blog.

Ontem, 29.05, foi projetado no Cine-PE o filme As melhores coisas do mundo, baseado na série de livros Mano, de Gilberto Dimenstein e Heloísa Prieto (o detalhe é que o filme é muito melhor que a literatura), roteitizado por Luiz Bolognesi e primorosamente dirigido pela Laís Bodanzky.

Mano é uma adolescente de quinze anos que vem passando por uma fase de problemas etários. A questão das dúvidas quanto à virgindade, paixões não correspondidas, problemas familiares etc, tudo isso sobre a pressão de amigos, familiares e sociedade. Não me aterei em falar do enredo do filme (até gostaria de fazê-lo), mas espero que simplesmente ouçam minha indicação e entrem na sala de projeção mais próxima de vocês a partir do dia 7 de maio, quando estréia o filme para o público em geral.

O filme levanta bem as questões do adolescente de hoje. Sim, de hoje, pois “o mundo mudou muito nestes últimos cinco, dez anos”, como diz uma mãe numa reunião de pais no filme. A mídia rápida, SMS, Blogs etc, que tanto estimula quanto retrai, como no caso do cyberbullying, o tipo de violência com maior índice de crescimento em nossos dias. O ponto é que o filme fez certo, excelentes foram as medidas, como numa receita quando se coloca todos os ingredientes em porções que ao fim permitem um momento mágico ao paladar do degustador.

Eu falava isso para a Laís Bodanzky, ao fim da exibição do filme. Eu dizia que enquanto eu acompanhava a produção do filme não tinha certeza se iam conseguir alcançar aquele ponto que se localiza no cruzamento das quatro linhas, a de fazer cinema, a de trazer algo importante para o mundo, a linha do belo e a de mudar a vida de alguém na platéia. E mudou um pouquinho a minha vida, As melhores coisas do mundo chegaram ao meu coração remexeram alguma coisa.

Ela me falava do trabalho feito junto ao Luiz Bolognesi, que não se ateve à série de livros Mano e pediu ajuda de adolescentes na hora de escrever o roteiro, refinando a obra e aproximando-se das pessoas que o filme fala. Talvez por isso tenha tornado-se uma obra mais significativa que a literatura e talvez por isso mostre bem nosso mundo. Belo como na contraposição entre a tecnologia das mídias e o caderninho-diário de Carol, melhor amiga de Mano; ou a união de tecnologia com a poesia, vista na ação de Pedro, que está na fossa por amor – e é incrível como isso é adolescente e fascinante, a dor, o amor –, e posta em seu blog poemas sentimentais, detalhe: cheios de dor. E o mundo feio, onde a tecnologia se une aos sentimentos de insegurança, angústia e afins, para fazer mal ao outro.

Ainda há o tema paixões e relacionamentos, que transborda desde os adultos até os jovens, abordando temas como a primeira vez, sentimentos confusos, afirmações, homossexualismo, saturação etc. O filme embora tenha uma abordagem ampla, trata da classe média adolescente… embora tenha uma abordagem ampla e mostre àquela escola como um todo, foca um determinado grupo, e desculpem os outros, esse grupo é demais! – eu não posso me conter na hora de falar isso – é um grupo alternativo e isso permite que haja toda essa vida no filme, essa coisa verdadeira, essas coisas que são as melhores do mundo, sem… bem, deixem pra lá, creio que já deu para entender.E outros pontos que tenho que frisar muito vêm da parte técnica, e dessa não posso-me esquecer mesmo tendo um filme bem organizado em roteiro, enredo, com muito para abordar.

A câmera da Laís Bodanzky é linda, simplesmente linda, pois é muito complicado se marcar de forma autoral num set cheio de gente – e toda arte feita com uma filmadora deve ser aplaudida. O set cheio de gente é outro ponto, há de se parabenizar a produção pela forma como se trabalho a figuração. A direção de arte também entra na lista com um ambiente propício para gravar esse filme e produzir esse resultado. E, para terminar isso logo, antes que eu me empolgue de vez e reescreva tudo isso em um ensaio, a música. A trilha sonora não é só boa, não, ela é excelente, há tempos eu não via trilhas sonoras advindas do pop encaixar-se tão bem. Afinal, não é ter músicas boas, ah, pow, meu, aquela música é muito boa e tá no filme; não, não é assim que funciona, embora seja assim que as pessoas vêem muito hoje em dia; não, não… assistam o filme, vejam (ou melhor, ouçam) a trilha sonora, o como ela vai se encaixando no filme, é o tipo de sintonia que faz por vezes você nem perceber ela ali, pois simplesmente ela é o filme.

Bem, para encerrar, o elenco, rapidinho (e sem preconceitos, afinal, antes de existir ator ruim, existe diretor genial, depois você pode falar dos atores): Francisco Miguez é Mano, Gabriela Rocha é Carol e Gabriel Ilanes é Deco; Denise Fraga e Zé Carlos Machado são os pais de Mano, Camila e Horácio, Fiuk é Pedro, irmão do protagonista, Caio Blat é o professor de física Artur, Paulo Vilhena é Marcelo, professor de violão e confidente de Mano e Gustavo Machado é Gustavo, namorado do pai de Mano – é, eu falei que ainda tinha muito o que abordar, então, assistam: dia 7 de maio, estréia As melhores coisas do mundo. Imperdível.

Assista ao trailer: clique aqui!

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